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A Oito homenageia profissionais e empresas que praticam a sustentabilidade, mas que sobretudo valorizam a vida.

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Artigo “Sustentabilidade: novas formas de usar”

Por Júnia Carvalho

A evolução do ambiente de negócios e o componente “crescimento” incorporado à noção de sustentabilidade apresenta o desafio das empresas em reforçar a cultura onde a vertente com foco nos recursos naturais (a ecologia) e a geração de riquezas (a economia) sejam convergentes na pauta de inovação, geração de valor e competitividade do negócio.

As interrelações envolvendo o meio ambiente, a produção, o consumo, e até a etimologia da palavra [eco – logia] e [eco – nomia], que possui origem do grego óikos (eco), que significa casa, destacou a ecologia mais que o aspecto econômico da sustentabilidade.

Muito recente, a sustentabilidade se fez por meio de práticas de gestão dos recursos naturais e atendimento às legislações e exigências para operação, considerando o meio ambiente o pilar que traduz ser sustentável. Por questões culturais, por necessidade de retorno rápido do investimento, as empresas de pequeno e médio porte ainda são as que menos investem na prática, enquanto as de grande porte gradativamente incorporam, seja por exigência legal ou estratégica.

Esse cenário vem mudando com o nascimento de novos negócios já com forças de mercado que impulsionam o crescimento econômico e a reorganização de estruturas organizacionais existentes que consideram o valor agregado da sustentabilidade, a resolução de problemas sociais, ambientais, mas também os ganhos financeiros.

No Brasil, uma pesquisa realizada pelo Global Entrepreneurship Monitor(GEM) em parceria com o Sebrae e Instituto Brasileiro de Qualidade e Produtividade (IBQP), destaca que “em 2017, no Brasil, a taxa total de empreendedorismo (TTE) foi de 36,4% – significa que de cada 100 brasileiros adultos (18 – 64 anos), 36 deles estavam conduzindo alguma atividade empreendedora, quer seja na criação ou aperfeiçoamento de um novo negócio, ou na manutenção de um negócio já estabelecido”.

Objetivos incorporados no cerne dos negócios, pela inclusão de metodologias ou ferramentas e atitudes inovadoras da liderança que ao mesmo tempo geram receitas, trazem benefícios sociais, preservam o meio ambiente e abrem caminhos mais curtos para o alcance de resultados.

Economia compartilhada: um novo valor de negócio

O valor compartilhado, por exemplo, criado pelos gurus Michael Porter e Mark Kramer amplia o olhar para as oportunidades de inovação e crescimento ao incorporar determinados problemas sociais e ambientais aos seus objetivos de negócios. Empresas como a Natura investem no valor compartilhado ao resolver o problema do entorno, comunidade da região onde produz o insumo de seus produtos, ofertando a oportunidade de emprego, estimulando o consumo consciente de embalagens por troca de refis e promovendo ao mesmo tempo o crescimento econômico da região.

O comportamento do consumidor em relação ao senso de propriedade está mudando — hoje ter acesso tornou-se mais importante do que ter a propriedade. Negócios como a Uber, promovem acesso mais rápido, e não possuem sequer frota de carros, proporcionam preços mais baratos e ainda promovem a qualidade de vida e o consumo consciente). A Allugator, startup mineira, que criou um aplicativo de aluguel de itens de uso doméstico, que nem sempre precisamos comprar, inovou com a prática de estímulo ao não acúmulo.

Transformar o espaço ocioso em uma fonte de renda, conectar com diferentes culturas e pessoas, como é o caso do Airbnb e até dividir o espaço do escritório, como os coworkings, são características dessa nova economia que traz modelos de negócios que geram renda e colaboram para a construção de um mundo mais sustentável.

Esses novos modelos de negócios reforçam o conceito de Desenvolvimento Sustentável segundo o relatório Brundland (1987), das Organização das Nações Unidas (ONU), que afirma ser sustentável “aquele que atende as necessidades das gerações atuais sem comprometer a capacidade das gerações futuras de atenderem às suas necessidades e aspirações”.

Além disso, estamos altamente conectados com o altruísmo, característica das novas gerações trazem um aspecto de fazer o bem, como revela a Universidade da Califórnia que 75% dos alunos recém- chegados acreditam que é essencial ajudar pessoas em dificuldade.

Mais do que parecer, ser sustentável

Aspectos intangíveis como a reputação e o diálogo com os stakeholders ganham força neste cenário e são fatores da agenda de ser sustentável — não basta parecer ser, tem que ser sustentável. Governança corporativa e a implantação de programa de compliance entram para o dicionário de sustentabilidade estimulando a ética nos negócios.

Segundo a Bovespa, investidores procuram investir em empresas responsáveis e sustentáveis, pois consideram que a prática gera valor no longo prazo para os acionistas, já que essas empresas são mais preparadas para correr riscos do ponto de vista social, ambiental e econômico.

Índice como o da Sustentabilidade Empresarial (ISE), ferramenta para análise comparativa da performance das empresas listadas na BM&FBOVESPA sob o aspecto da sustentabilidade corporativa, baseada em eficiência econômica, equilíbrio ambiental, justiça social e governança corporativa direcionam as empresas para se tornarem mais competitivas, valorizadas pelo mercado e para o crescimento.

Nestes negócios são encontrados e percebidos, pelos consumidores, valores em relação à marca e ao tipo de atividade desenvolvida.

Desafios e possibilidades

Contudo há um desafio adicional à sustentabilidade em função da quarta revolução industrial (4RI) em curso, marcada pela inovação disruptiva (que provoca uma ruptura com os padrões, modelos ou tecnologias já estabelecidos no mercado), pelas próprias características de seus setores de ponta (automação, computação em nuvem, impressão em 3D, biotecnologia, design remoto). Potencialmente são pouco ofensivas ao meio ambiente, mas propõem questionamentos sobre a empregabilidade.

Isso coloca uma responsabilidade ainda maior no papel das empresas no cenário socioeconômico contemporâneo, porém que pode ser oportunidade, dada a característica transformadora de comportamentos das empresas – conforme dados do Atlas de Complexidade Econômica da Universidade Harvard, a maioria das habilidades adquiridas para acompanhar a evolução tecnológica no âmbito da produção não vem das escolas ou universidades, mas no próprio ambiente de trabalho.

Sendo assim, são as organizações as principais multiplicadoras do conceito e práticas sustentáveis que unem a ecologia e economia, onde os verbos “inovar e engajar” tornam-se competências fundamentais do líder que conectará sua força de trabalho com a matéria-prima fundamental aos novos tempos: o conhecimento inovador e a sua aplicação no desenvolvimento econômico e sustentável.

Líderes de sucesso inspiram atitudes, transformam comportamentos e engajam pessoas, além de enxergarem possibilidades economicamente viáveis, socialmente justas, ambientalmente corretas e culturalmente aceitas que geram resultados e ganhos efetivos.

Filha das Minas Gerais com sangue empreendedor e apaixonada pelo desenvolvimento de pessoas, inovação e sustentabilidade. Gestora de Projetos e Estratégia de Negócios.  Leciona Ética nos Negócios e Sustentabilidade em cursos de MBA Gestão Estratégica de Negócios, Pessoas e Projetos. À frente da WCS2018, executa projetos de desenvolvimento de lideranças e segurança do trabalho em empresas mundiais.
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